Profissão Web Entrevista: René de Paula Jr

Nesta quarta-feira teremos a participação de René de Paula Jr na seção Profissão Web Entrevista.  Na entrevista com René apresentararemos a visão do especialista em projetos interativos sobre a polêmica Web 2.0.

*René de Paula Jr é um especialista em projetos interativos que trabalha com internet desde 1996. Com passagens por grandes agências como AlmapBBDO, AgênciaClick, Wunderman, empresas como Sony e Banco Real e mais recentemente o Yahoo! Brasil, René tem como foco a criação, implantação e manutenção de projetos focados na participação do usuário, na formação de comunidades e na brand experience integrada.

Thiago Melo: O que é a Web 2.0?

René de Paula Jr: Como era a web antes da Web 2.0? Era assim: tinha muito conteúdo para você acessar, mas não passava disso, pois comentar, enriquecer, compartilhar era quase impossível. Se você quisesse publicar alguma coisa na web antiga, tinha que aprender um monte de coisas: HTML, FTP, Photoshop, etc. Se você publicasse seu conteúdo ele ficaria ilhado no seu site esperando que alguém o descobrisse. Era legal, mas faltava alguma coisa.

Sabe o que faltava? Você. Na Web 2.0 você pode comentar, alterar, contribuir e compartilhar com outras pessoas e, o que é mais legal, sem ter que aprender HTML nem nada.

Em suma: Web 2.0, para mim, é a web onde todos têm voz e ninguém tem a última palavra. )

Thiago Melo: O termo “Web 2.0” tem sido bastante utilizado para descrever uma segunda geração da web: O colaborativismo e a troca massiva de informações, mas este termo tem gerado inúmeras discussões. Por que as pessoas têm tanta dificuldade em aceitar este termo definindo o mesmo como um “golpe de marketing”?

René de Paula Jr: A resposta é simples: não tenho idéia ) É claro que dar um nome novo é uma maneira de marketear a história toda, mas que mal há nisso? Se o problema for só o rótulo e o buzz todo, para mim isso não é problema, pelo contrário: acredito que isso alavancou bastante nosso mercado. Se a questão for se há ou não algo novo, eu prefiro deixar que o Yahoo! Respostas responda… com milhões de respostas. D

Thiago Melo: Como diretor de produtos do Yahoo! você participou da criação de muitos serviços considerados Web 2.0. Quais foram estes produtos e como você acredita que eles mudaram a forma como as pessoas interagem com a web?

René de Paula Jr: Calma, calma ) Adoraria ter participado da concepção, gestação e parto de prodígios como o Flickr, Delicious ou mais recentemente do Yahoo! Respostas, mas como esses produtos nascem normalmente lá fora, meu trabalho sempre foi muito mais puericultura do que obstetrícia. )

Metáforas grávidas à parte, eu tive a chance de acompanhar o lançamento do Yahoo! Respostas no Brasil (excelente trabalho de Fabio Boucinhas e sua equipe). Foi fascinante, sobretudo pela resposta maravilhosa dos usuários brasileiros. Em pouquíssimo tempo já tínhamos um milhão de respostas, e rapidamente assumimos a vice-liderança mundial no seu uso. Emocionante, mesmo.

Assistindo de camarote como as pessoas utilizam esses serviços, o que me fascina é ver como as pessoas são donas do próprio nariz, como elas se apropriam das ferramentas e fazem com elas o que bem entendem. Criam suas próprias redes sociais, definem quem vê o quê, dão o sentido que bem entendem… Isso é genial, é como se fossemos a personagem do “Apanhador no Campo de Centeio” zelando pelas crianças que brincam livres.

Thiago Melo: Encontramos hoje na web modelos de serviços como a Wikipedia e o Yahoo! Respostas. Qual a sua opinião sobre a relevância das informações postadas nestes serviços?

René de Paula Jr: Uma das disciplinas mais difíceis da área interativa é a humildade. Quando eu finalmente chego à conclusão que entendi o que está acontecendo, os zilhões de usuários dão uma pirueta e me deixam de pernas pro ar. Eu já errei inúmeras vezes e me surpreendi outras tantas, e esse é um dos maiores encantos desse front que escolhi, e é justamente por isso que digo: a minha opinião é o de menos. Em serviços desse tipo, o juízo de valor não é privilégio de iluminados, mas é um direito de cada usuário envolvido. Se eles considerarem aquela informação relevante, não sou eu quem vai impor alguma coisa, não é?

Ok, é claro que existe um sem-número de questões complicadas, tais como veracidade, profundidade, legitimidade, etc., questões que nos perseguem desde que abrimos a boca para grunhir em sociedade, mas se esse saber cooperativo está crescendo tanto, eu tiro o meu chapéu e o saúdo.

Ainda nesse tema Web 2.0 há outras questões que me intrigam:

Colaboração não é a panacéia universal, por três razões:

  • Nem todo mundo está disposto a colaborar.
  • Quem quer colaborar/produzir/publicar é um minhoquésimo do universo de usuários.
  • Nem toda situação melhora com a participação coletiva. Você já pegou um semáforo pifado na Brasil com a Rebouças?

Existem pessoas 2.0? Eu duvido, e explico:

  • Pessoas são capazes de coisas bárbaras e de barbáries, é só uma questão de contexto.
  • Contexto algum vai fazer as pessoas serem capazes do que não são capazes.
  • Ainda nem entendemos a nossa própria versão beta.

Nem tudo o que é novo inova. Explico:

  • Inovar é mudar o mundo.
  • Muita novidade ou é fogo de palha ou simplesmente não vinga.
  • Muitas inovações revolucionárias nasceram de patinhos feios (o Orkut que o diga, ICQ idem).

Pirotecnias técnicas não trazem muita luz. Explico:

  • Quem gosta de tecnologia é tecnólogo. O resto da humanidade gosta mesmo é de ser feliz.
  • Se olharmos pra técnica, estamos olhando pro dedo que aponta a lua, e não para a lua.
  • Se olharmos pra técnica olhamos para o NOSSO dedo, e não pros outros zilhões de dedos que não estão nem aí pra técnica.

Olhando para trás, tudo faz sentido. Mas lá atrás, ninguém poderia imaginar. Explico:

  • Muitos projetos que hoje achamos geniais nasceram por serendipity total, quase como crimes préter-intencionais.
  • Se tem algo absolutamente imprevisível é o gosto popular: você nunca vai saber porque algo “bombou” ou bombou.
  • Cada usuário tem um mouse na mão. Eles são 1 bilhão. Estamos cercados.

Uma última consideração:

Há 10 anos atrás alguém me perguntou como eu me via no futuro. Eu disse: invisível, diluído, desnecessário, porque meu sonho é que no futuro não precisaremos mais de gurus. Well, mais um pouco eu chego lá. )

Por: Thiago Melo
Fonte:
http://www.profissaoweb.com/

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